Secretaria de Agricultura participa de Dia de Campo sobre produção leiteira no noroeste paulista

 

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Por meio da CATI Regional Votuporanga, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento participou, no dia 13 de maio, da 4.ª edição do Dia de Campo sobre Produção Leiteira, organizado pela Estância João Luis, localizada no município de Cosmorama. O evento reuniu cerca de 800 pessoas, entre produtores, técnicos, expositores e estudantes da área agronômica de diferentes estados, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Goiás, interessadas no tema “Sustentabilidade e Segurança Alimentar na Pecuária Leiteira”. “O nosso objetivo foi reunir produtores e profissionais do setor para divulgar as melhores práticas de produção e manejo sustentável e seguro, bem como promover a troca de experiências por meio de palestras técnicas e exposição de insumos e equipamentos”, explicou o pecuarista João Luis Cavallari, organizador do evento.

Organizado com apoio da CATI e da iniciativa privada, o evento tem se tornado uma referência na difusão de conhecimento, trocas de experiências e negócios, que vão além das fronteiras do noroeste paulista, região que se destaca na produção leiteira do Estado de São Paulo, com mais de 10 mil produtores de leite, mais de 170 mil vacas em ordenha que alcançam o volume de 265,87 milhões de litros de leite produzidos, movimentando a economia da região com a geração de recursos da ordem de R$ 121,4 milhões. “Apesar de uma retração da atividade nos últimos anos, a pecuária gera 296 mil empregos diretos, em um universo de 1,15 milhão de hectares de pastagens, onde é mantido um rebanho de quase dois milhões de bovinos”, informa Carlos Alberto De Luca, diretor da CATI Regional Votuporanga (unidade responsável pela extensão rural no município em que foi realizado o Dia de Campo), citando dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Representando Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento, na solenidade de abertura, o assessor Sérgio Murilo Hermógenes destacou a amplitude do evento, que tem se tornado referência para o segmento leiteiro. “Para a Secretaria é gratificante participar de um evento desse porte, o qual tem como tema a segurança alimentar e a sustentabilidade, pontos que têm sido destacados pelo secretário Arnaldo Jardim, que defende a produção agropecuária em harmonia com o meio ambiente. Estamos aqui com os técnicos da CATI, do Instituto Agronômico, de Campinas, e do Instituto Biológico, aportando conhecimento. Também é uma satisfação participar desse evento, organizado pela Estância João Luis, pois o seu proprietário iniciou na atividade como um pequeno produtor de leite e, que, graças à nossa extensão e ao conhecimento que a Secretaria levou até ele, cresceu e hoje realiza um evento grandioso, com palestras de conteúdo relevante ministradas por profissionais de universidades renomadas, como a Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz” (Esalq) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp)”, ressaltou Sérgio, acrescentando que no estande montado pela Secretaria, a equipe técnica atendeu produtores e interessados nos serviços, produtos e projetos disponíveis para o segmento. “Nosso objetivo é que o conhecimento chegue ao produtor e transforme sua realidade com geração de renda e ganho em qualidade de vida”.

                      


Para o diretor da CATI Regional Votuporanga, o evento foi uma oportunidade para os agricultores familiares atendidos no Projeto CATI Leite obterem conhecimentos e terem contato com novas tecnologias disponíveis no mercado. “Apoiamos o Dia de Campo desde a primeira edição e fazemos questão de convidar os produtores familiares para participarem, pois é uma oportunidade para que obtenham mais conhecimento, tenham acesso a tecnologias de ponta e vejam rebanhos de várias raças, haja vista que mais de 70% da produção leiteira é oriunda da agricultura familiar, a qual é o foco do nosso trabalho. Das 40 Regionais da CATI, 36 têm projetos de pecuária leiteira no âmbito do Projeto CATI Leite. Hoje, são 801 propriedades orientadas e tecnificadas pelos nossos técnicos”, destacou De Luca.

Segundo a organização, o evento nasceu da necessidade de divulgar o trabalho da propriedade e a raça Jersey. “A partir da segunda edição, vimos a necessidade de contribuir para o avanço da pecuária leiteira em nossa região. Hoje, nesta quarta edição, temos 68 empresas participando, com uma equipe técnica que tem muito conhecimento sobre a área. Temos visto que os produtores têm aproveitado o acesso a esses profissionais e a oportunidade de conhecer a produção de outras regiões e propriedades”, explicou João Luis,  fazendo uma retrospectiva do Dia de Campo. “Em 2012, realizamos a 1.ª edição, com o apoio de 18 empresas e cerca de 270 visitantes, entre produtores e técnicos da região. Em 2013, o crescimento do evento trouxe 360 participantes e 28 empresas expositoras. No ano de 2014, o número de visitantes passou para cerca de 500, entre produtores e profissionais da cadeia leiteira da região, do Estado e do País, e 38 empresas apoiaram o Dia do Campo, expondo seus serviços e produtos”, contabilizou o produtor, cujas expectativas são grandes para a edição de 2017.


Evento abre espaço para futura parceria da SAA com governo da Nova Zelândia na área de pecuária leiteira

Além de oportunidade de difusão de novos conhecimentos para os produtores atendidos pela Secretaria de Agricultura, o evento se tornou espaço para uma futura parceria de cooperação técnica na área de pecuária leiteira, entre o governo de São Paulo e o da Nova Zelândia, país que detém o título de maior exportador de produtos lácteos do mundo e também de novas tecnologias na área e esteve presente no evento com estande com empresas e os representantes políticos neozelandeses no Brasil, como sua embaixadora Caroline Bilker. “É um prazer participar desse evento, apoiando as empresas da Nova Zelândia, que têm tecnologias muito interessantes para o Brasil, na área de agronegócios. Também foi muito bom encontrar o assessor do secretário de Agricultura de São Paulo e falar sobre uma parceria para avançar na cooperação técnica no Estado”, ressaltou a embaixadora destacando que, além dos empresários, estava presente uma representante da área de educação da embaixada para conversar com os jovens sobre os projetos educacionais voltados para difusão de conhecimento na área agrícola.

O assessor da Secretaria, Sérgio Murilo, reforçou as palavras da embaixadora e se comprometeu em levar as informações ao conhecimento do secretário Arnaldo Jardim, para que a parceria possa ser estabelecida. “Vislumbramos a possibilidade de firmar, em um futuro próximo, um termo de cooperação técnica. Fizemos os primeiros contatos para trocarmos conhecimento e tecnologias. Com certeza será uma parceria que terá reflexos importantes para o produtor de leite paulista”.

                      


Durante o evento, os participantes puderam trocar experiências e conhecer um pouco mais sobre o desenvolvimento da pecuária leiteira nesse país.  Em um grande estande, a New Zealand Trade & Enterprise (NZTE), agência de promoção de comércio internacional e desenvolvimento econômico da Nova Zelândia, trouxe representantes de cinco empresas neozelandesas, que apresentaram seus serviços e produtos, com o objetivo de estreitar relações comerciais com os produtores. “O Dia de Campo tem se tornado um evento muito importante para aproximar interesses de diferentes públicos envolvidos na produção leiteira, a fim de construir parcerias que possam responder aos desafios locais sobre produtividade, rentabilidade, segurança de alimentos, sustentabilidade e melhores práticas”, comentou Ralph Hays, comissário de negócios da Nova Zelândia e cônsul geral da Nova Zelândia no Brasil.


Programação diversificada tem palestras, mostra técnica, minicurso e concurso de queijo artesanal

O tema principal “Qualidade e Segurança Alimentar na Pecuária Leiteira” foi debatido em uma série de palestras que abordaram assuntos como Gestão de pessoas em propriedades leiteiras, ministrada por Maria Thereza Rezende, zootecnista e proprietária da Fazenda da Vovó em Arcos (MG); Boas Práticas em manejo de bezerras leiteiras, por Lívia Carolina Magalhães Silva, zootecnista da Faculdade de Ciências Agronômicas e Veterinárias da Unesp, campus de Jaboticabal; e Gestão compartilhada de projetos na pecuária, por Jardel José Busarello, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SP).

Pesquisador da Clínica do Leite, da Esalq, Augusto Lima fez um panorama da qualidade do leite em São Paulo e apontou caminhos para que os produtores possam garantir a segurança do alimento, que está presente no cotidiano dos brasileiros. “A Clínica do Leite é o único laboratório (sem fins lucrativos) credenciado para analisar o leite em São Paulo, sendo responsável também pela análise de aproximadamente 30% do leite nacional. Temos atestado que uma parcela do leite analisado apresenta problemas relacionados à presença de resíduos, substâncias e contagem bacteriana elevada. Verificamos que os produtores desse leite têm problemas com gestão da propriedade, bem como com a sanidade dos animais. Por isso, enfatizamos que para solucionar esses problemas de segurança alimentar, os produtores têm que investir na gestão multifatorial do seu negócio. E, para isso, eles têm à disposição projetos de entidades públicas como a CATI, que enfatizam as Boas Práticas Agroepecuárias, com uma série de conhecimentos e ferramentas para se obter um leite seguro”, esclareceu o pesquisador, enaltecendo o evento. “O Dia de Campo foi muito bom. As palestras contaram uma história integrada ao tema principal e os produtores e estudantes puderam conhecer os vários elos da cadeia, saindo com uma mensagem sobre o que têm que fazer para que o leite que vendem para a indústria, seja seguro para a população consumir”.

Na mostra de tecnologia, o público pôde interagir e obter informações sobre equipamentos, sementes, softwares, melhoramento genético, entre outros.

Participando do Dia de Campo, por meio de convite feito pela CATI, Wilson Luiz Strada, produtor rural de Valentin Gentil, cuja propriedade integra o Projeto CATI Leite, avaliou positivamente o evento. “O encontro foi muito bom, pois conheci novas tecnologias para empregar na propriedade. Encontrar outros produtores também foi importante, pois às vezes um tem uma solução para um problema que estamos passando. Ao ver as máquinas e os equipamentos disponíveis, reforçei o meu planejamento para agregar valor à produção, fator mais importante para quem quiser levar adiante a atividade”.

O produtor Celso Passarin, de Valentim Gentil, também aprovou o evento. “Tudo o que tiver de novo é bom aprender, pois nunca sabemos tudo. A gente vêm a um lugar desse e têm informações que podem corrigir alguns erros que às vezes cometemos no campo. A assistência da CATI é muito boa, aprendemos demais com o agrônomo e o veterinário da Casa da Agricultura, que sempre nos incentivam a participar de eventos e cursos, além de nos acompanhar no Projeto CATI Leite. Costumo dizer que, antes desse Projeto, éramos tiradores de leite; agora, com orgulho somos produtores que utilizam tecnologia, inseminação e controle da sanidade do rebanho”.

                      


Paralelamente às palestras e à mostra, foi realizado, em parceria entre a Casa da Agricultura de Cosmorama e o produtor João Luis, um minicurso de processamento artesanal de derivados de leite, voltado aos agricultores familiares, que contou com participantes de vários municípios da região, os quais são integrantes do Projeto CATI Leite. “Os participantes do curso integram o CATI Leite, tendo uma produção média de 50 litros/dia. Eles nos procuram na Casa da Agricultura e falam sobre a baixa remuneração que recebiam pelo leite in natura e queriam saber como agregar valor à produção. Então, diante da disponibilidade e do desejo do produtor João Luis, organizamos esse minicurso, assim a família toda estaria reunida para obter mais conhecimento para aumentar a rentabilidade da atividade pecuária. Hoje, eles recebem cerca de R$ 0,70 pelo litro de leite; já o queijo poderá ser vendido entre R$ 10 e R$ 12 reais o quilo”, salientou William Sérgio de Oliveira Vivan, zootecnista responsável pela Casa da Agricultura de Cosmorama.

O curso, ministrado pela professora Cleide Viana Soares, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de Jales, teve como objetivo ensinar técnicas de preparo e fabricação de, entre outros, queijos artesanais tipo frescal e muçarela, doces e iogurtes, para produtores agregarem valor à sua produção. “O curso foi direcionado aos produtores familiares que muitas vezes não podem se deslocar para participar de atividades como essa, em locais mais longe de sua propriedade. Foi muito bom, pois a Casa da Agricultura selecionou produtores que realmente precisavam desse incentivo”, afirmou João Luís Cavallari.

Além da capacitação, um concurso de queijos artesanais movimentou o evento. Após uma apurada degustação de um grupo de jurados, entre os quais estava o cônsul da Nova Zelândia, duas produtoras da região saíram vencedoras. Uma delas, Roseli Hegedusch, participou do curso promovido e contou que o queijo ganhador foi o segundo que ela havia feito, após ter participado de um outro curso organizado pela CATI e pelo Senar. “Eu estou fazendo queijo há pouco tempo. Fiquei muito feliz em ser escolhida, eu não esperava. O curso dado aqui no Dia de Campo foi muito bom, aprendi bastante. Saio daqui com vontade de fazer cada vez mais queijo, para agregar valor na propriedade”, contou emocionada, Roseli, que ao lado do marido Rogério, que participou das palestras no Dia de Campo, produz leite no sítio Boa Esperança, localizado no município de Mirassolândia.

“A participação no concurso foi livre, bastava que o produtor acreditasse no seu produto e trouxesse para a Estância. Esse tipo de atividade é muito bom para dar visibilidade à produção familiar”, enfatizou o produtor João Luis Cavallari, celebrando o empate entre a produtora Roseli e a produtora Isabel Regina Sprangoeski, da Estância Pirajá, de São José do Rio Preto, que dividiu o prêmio oferecido pela organização apresentando um queijo parmesão.

Após aprendizados, trocas de experiências e novos negócios, os produtores voltaram para suas propriedades com o ânimo renovado para continuar na atividade que, apesar de dificuldades e grandes desafios, é uma paixão para aqueles que nela estão, muitas vezes por diversas gerações. “Tenho orgulho de trabalhar na pecuária; eu cuido de tudo nos dias de folga dos funcionários. O futuro da pecuária leiteira é promissor, pois existe falta de leite no mundo. Apesar do preço dos insumos, o “leite” é uma atividade que, bem trabalhada, é bastante rentável. Tenho orgulho de produzir um produto nobre, com qualidade, que é direcionado até para alimentação de recém-nascidos. Apesar de ser atividade que não propicia descanso, nem segue dia santo ou feriado, a qualidade de vida é muito boa. Fiquei 30 anos no comércio e não me arrependo de estar agora dentro da propriedade”, falou João Luis Cavallari.

                      



Sobre a Estância João Luis

A história da Estância João Luis teve seu início no final do ano 2000, sob a orientação dos extensionistas da CATI Regional Votuporanga. Um ano depois, a Estância já estava produzindo 130 litros de leite/dia, atingindo, em 2008, a produção de cerca de dois mil litros diários, com uma média de 23,5 litros por vaca/dia, em uma área total de 14,2 hectares, com produção de 44 mil litros por hectares/ano. Para suprir as necessidades nutritivas dos animais, a Estância produz Tifton 85 irrigado, dividido em piquetes. No inverno, são plantados aveia e azevém, e o cocho é suplementado com cana e ureia. “Procurei a CATI, que me deu todo o apoio desde o início. Os técnicos me auxiliaram com projetos de produção, piqueteamento, semeadura de aveia e azevém, bem como com o planejamento da propriedade e a escolha do rebanho”, informa João Luis.

Em busca de aperfeiçoamento e maior eficiência, em 2009 foram adquiridas as primeiras bezerras e novilhas da raça Jersey e, em 2011, iniciaram-se os investimentos em genética de ponta, com a aquisição de animais procedentes de criatórios e estabelecimento de parcerias para produção de embriões e de leite de forma sustentável, com qualidade e segurança alimentar.

 

 

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