Reunião na sede da CATI define próximos passos para comercialização do leite A2

Em reunião na sede da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), no dia 30 de janeiro, uma equipe multidisciplinar discutiu a produção do leite A2. Em debate, as alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde em rotulagem. Segundo Carlos Pagani Neto, da assessoria técnica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e da CATI, este é mais um passo para a entrada do leite A2 no mercado. Atualmente, cinco Regionais CATI têm projetos em andamento para o leite A2, todos inseridos no Plano Mais Leite, Mais Renda lançado pela SAA em 2017.

Na reunião estiveram presentes o pesquisador Aníbal Vercesi Filho, representante do Instituto de Zootecnia, que vem fazendo já há alguns anos pesquisa e melhoramento genético para a genotipagem dos gados leiteiros Gir, Girolando e Holandês, desenvolvendo plantéis que produzam o leite A2; a pesquisadora Patrícia Blumer, do centro de laticínios do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); o médico veterinário Tiago Braga Isidoro, do Centro de Produtos de Origem Animal (Cipoa) da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA); Roberto Jank Júnior, da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Abraleite); Marco Aurélio Cecon, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); além da produtora Camila Almeida, da Estância SilvaniA2, de Caçapava (SP). Participaram, ainda, os médicos veterinários Marianne de Oliveira Silva e Carlos Augusto S. Almeida, da assessoria em cadeias produtivas da CATI, e a nutricionista Beatriz Cantúsio Pazinato, da Divisão de Extensão Rural da CATI.

Alguns há mais e outros a menos tempo envolvidos com a questão do leite A2, todos  os presentes participaram da reunião com o objetivo de dar opiniões e exemplos e dizer quais têm sido as dificuldades, os gargalos e os avanços em relação à colocação do leite A2 no mercado. Para Aníbal Vercesi Filho, não é possível ainda determinar um momento preciso, já que a comprovação e liberação do leite A2 depende de vários órgãos. A produtora Camila e o marido Eduardo Falcão estão um passo à frente. “Como partimos do zero, já fizemos a planta do laticínio de acordo com as exigências, nosso gado Gir leiteiro também já foi todo genotipado e temos a garantia de produzirmos leite genuinamente A2 agora estamos na fase de saber como será feita a rotulagem dentro dos padrões exigidos, temos processo em andamento no Cipoa/CDA para termos o selo do Serviço de Inspeção do Estado de São Paulo (Sisp)”, contou Camila. Ela e o marido foram os primeiros produtores no Brasil a se interessarem pela produção de leite A2 e também por queijo artesanal derivado de leite A2. Isso foi ainda em 2009, antes de o IZ começar as pesquisas comandadas por Aníbal Vercesi, que logo a seguir também implantou o projeto no IZ para genotipagem dos animais e formação de plantel específico.

Segundo Cecon, não há na legislação brasileira nada a respeito da rotulagem, “por enquanto só é possível se ater e observar o que já existe em países onde o leite A2 é comercializado, como Austrália e Nova Zelândia, e verificar o que é possível adaptar para a legislação brasileira em relação às alegações de propriedade funcionais e/ou de saúde em rotulagem para produção de leite especificamente A2”, frisou o técnico do MAPA. O material resultante das discussões deverá ser encaminhado em conjunto ou individualmente por cada empresa − uma das decisões ainda a serem tomadas pelos participantes do grupo − à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O leite A2, segundo a literatura internacional traz, como principais benefícios uma possível ligação com o controle dos níveis de colesterol e com o diabetes tipo 1, além de ser indicado para quem apresenta “alergia ao leite”; na verdade a alergia é a uma das proteínas do leite, a beta-casomorphin-7 (BCM-7). Também surgiu nas pesquisas a possibilidade de melhorar processos inflamatórios das mucosas gástrica e intestinal, possivelmente decorrentes da BCM7, produto resultante da beta caseína A1 e grave em seres humanos. No Brasil, a maioria do gado ainda é A1-A2 ou A1-A1, porém as raças zebuínas têm grande potencial para serem A2-A2, no caso a genotipagem garante que sejam vacas A2-A2 para que produzam um leite genuinamente A2.

Para Carlos Pagani Neto, quanto mais interessados e maior união entre os órgãos melhor. “Já existem cinco Regionais CATI com interesse em desenvolver projetos para produção e comercialização do leite A2. São elas: Catanduva (a primeira delas com o projeto em parceria com a Fazenda Reunidas Castilho, propriedade de Adáldio Castilho Filho, também participante do projeto, trabalhando com gado da raça Sindi), Araçatuba, Tupã, Araraquara, com a Fazenda Agrindus de Descalvado, propriedade de Roberto Jank Júnior; e Pindamonhangaba, com a Estância SilvaniA2, do casal Camila e Eduardo. Essa parceria entre vários elos da cadeia é muito importante para o desenvolvimento do projeto, pois demonstra o interesse em que o Brasil venha a comercializar o leite A2.

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