Novidades e tendências são apresentadas no II Encontro de Inovações em Olericultura

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No dia 14 de julho, na sede da CATI, em Campinas, cerca de 140 pessoas, entre produtores rurais, extensionistas, pesquisadores e estudantes, participaram do II Encontro de Inovações em Olericultura, promovido pela CATI Regional Campinas, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O evento, aberto gratuitamente ao público, apresentou novidades do setor sobre o manejo de culturas e comercialização. Um dos temas abordados teve como foco a irrigação de qualidade. De acordo com Roberto Testezlaf, engenheiro agrícola e professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o planejamento e o projeto dos sistemas de irrigação devem estar adequados às necessidades da cultura e às condições da propriedade. “O projeto, o manejo, a instalação, a operação e a manutenção determinam a qualidade da irrigação. Com todas as etapas bem conduzidas tem-se um produto de melhor qualidade, um adequado retorno financeiro e os recursos naturais são usados de forma apropriada”, avalia Roberto.

                      


Dados de 2015 do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Estado paulista conta com 360 mil hectares de olericultura sendo a produção, mais de 3 milhões de toneladas por ano. Para que essa produção seja comercializada, alguns procedimentos são extremamente necessários como é o caso da rotulagem dos produtos. “A rotulagem é o primeiro passo para o produtor se identificar no mercado. É uma ferramenta que promove transparência entre o vendedor e o comprador e aproxima o consumidor do produtor rural. Rotular, além de ser uma exigência da legislação, é um processo simples e barato”, orienta Anita de Souza Dias Gutierrez, chefe do Centro de Qualidade em Horticultura da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). De acordo com ela, o rótulo pode ser um carimbo, uma etiqueta colada ou uma impressão e deve conter informações como: nome do produtor, endereço completo, localização geográfica, inscrição estadual, CNPJ, país de origem, informações sobre o produto (nome, variedade, classificação), data de embalamento, lote, quantidade do produto e peso líquido. Além das informações obrigatórias, outras podem ser inseridas como número de frutos na caixa, o código de barras e o valor nutricional.

                      


Um dos nichos de mercado da olericultura são as hortaliças miniaturizadas, variedades criadas por meio do melhoramento genético, com tamanho reduzido. Já encontradas em mercados elitizados e utilizados por chefes de cozinha no preparo de refeições mais elaboradas, as mini ou baby hortaliças têm um alto valor agregado e são comercializadas por preço muito mais elevado em comparação ao das versões similares de tamanho normal. “Este é um mercado que ainda não está totalmente consolidado, no entanto encontra-se em desenvolvimento. Há um real potencial de expansão do mercado de hortaliças de tamanho reduzido porque tende a crescer o número de famílias pequenas e de pessoas que moram sozinhas, e as hortaliças em miniatura são uma nova opção de compra para esses consumidores que procuram evitar o desperdício”, afirma Luis Felipe Purqueiro, engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico, de Campinas, que informa que o mini-tomate é um dos produtos mais procurados pelas pessoas, principalmente por crianças, pelo seu tamanho e sabor adocicado.

                      


O público presente teve a oportunidade de visitar os estandes de empresas ligadas ao setor, que fizeram uma exposição de insumos, equipamentos e serviços disponíveis no mercado. Para o produtor e um dos proprietários de uma empresa de produção de mudas, encontros setorizados são uma excelente oportunidade de se aproximar tanto da extensão rural, quanto dos produtores. “A CATI é fundamental para promover este contato entre todos os elos da cadeia”, avalia Sérgio Visquolo Neto, que diz que as mudas de alface são as mais procuradas pelos produtores de Campinas e região.  Já Antônia Abalsamo, diretora de uma empresa de tecnologia, disse que o Encontro promovido pela CATI também foi uma forma de desmistificar a ideia de que tecnologia só pode ser adquirida pelos grandes produtores. “O pequeno produtor também pode e deve se tecnificar. Há máquinas muito acessíveis e outras que podem ser financiadas e que melhorarão muito a produtividade. Investir em tecnologia significa uma redução nos custos de mão de obra, no uso de agroquímicos, na melhoria de condições do trabalhador rural e na qualidade do produto final”.

De acordo com José Augusto Maiorano, engenheiro agrônomo e diretor da CATI Regional Campinas, o evento cumpriu com seu objetivo. “Nosso propósito foi o de promover uma troca de informações entre extensionistas, pesquisadores, empresas e outros profissionais experientes no setor de olerícolas. Os temas trabalhados são os de mais destaque dentro desta cadeia produtiva e procuramos oferecer um diagnóstico da cultura, sugerir técnicas de produção e mostrar as necessidades do mercado”, avalia.

                      


Os produtores que participaram do encontro confirmam que poderão utilizar os conceitos, as técnicas e tecnologias apresentadas. “Gostei bastante das palestras e das exposições. Ficamos muito isolados na propriedade e atividades como essa nos permitem abrir os olhos para novas informações. O que me chamou mais atenção foi uma empresa que apresentou defensivos naturais, que controlam as pragas sem agredir o meio ambiente e a saúde humana. Estava carente dessas informações e por meio deste evento organizado pela CATI pude aprender novas técnicas que serão de muita utilidade”, anima-se Valdecir Ferrarezi, produtor de Itatiba. Há mais de 20 anos trabalhando como técnico elétrico, o “recém-produtor” de Socorro, Ronaldo Aparecido, foi levado pela crise econômica a mudar de ramo e escolheu a agricultura. Participou do encontro para ter mais conhecimento e segurança para iniciar a produção de frutas, verduras e legumes em estufa. “Como estou começando minha atividade, o técnico da CATI de Socorro me incentivou a participar deste evento. Em poucas horas, aprendi muito: desde a importância da irrigação, até os equipamentos e materiais necessários para fazer uma boa produção em estufa, que é o que pretendo”.

                      


O “Encontro de Inovações em Olericultura” é promovido anualmente, sendo mais uma iniciativa entre os vários projetos desenvolvidos pela CATI em busca do fortalecimento das principais cadeias produtivas em todo o Estado de São Paulo.

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859
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