Microbacias II - resultados vão além dos dados numéricos

As comunidades quilombolas têm avaliado positivamente o desenvolvimento do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, o trabalho da CATI e de seus parceiros, no desafio de desenvolver uma extensão rural voltada a elas, fortalecendo a organização de suas entidades representativas, a busca por alternativas de renda e a produção sustentável, respeitando suas características culturais.

Isso tem acontecido, segundo as avaliações do Projeto, por conta dos excelentes resultados no que diz respeito às ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e ao aporte de recursos financeiros para iniciativas de produção, comercialização, fortalecimento organizacional e manejo de bens naturais. “O apoio à produção tem proporcionado melhorias nas atividades agrícolas, favorecendo a consolidação de algumas comunidades produtivas e viabilizando a comercialização de produtos com qualidade, com o investimento de milhões de reais. No entanto os resultados vão além do que pode ser contabilizado em números, pois as ações têm favorecido uma maior integração entre os membros das comunidades, como resultado do empoderamento do processo de efetivação do investimento, onde os membros foram quem escolheu o que deveria ser feito, adquirido ou construído; bem como o fortalecimento da autoestima e dos aspectos culturais e identitários dos grupos”, avalia Márcia Moraes, socióloga responsável pelas Salvaguardas Sociais no âmbito do Microbacias II.

       

Para Antônio Eduardo Sodrzeieski, conhecido como Mamute, diretor da CATI Regional Registro, que abrange 23 das 26 comunidades quilombolas envolvidas no Microbacias II, o maior legado das ações executadas junto aos povos tradicionais é a emancipação gerada. “O maior presente do Projeto para as comunidades é a independência que está sendo gerada. Está sendo traçado um novo horizonte, no qual elas estão deixando a dependência das áreas de assistência social e de viver de cesta básica, para se firmarem como agricultores e/ ou pescadores e extrativistas. Portanto, para mim, o grande legado do Projeto é a autonomia das comunidades, a melhoria em sua qualidade de vida e as infraestruturas que ficarão para as novas gerações”.

MICROBACIAS II SOB A ÓTICA DE COMUNIDADES QUILOMBOLAS

ASSOCIAÇÃO REMANESCENTE DE QUILOMBO DO BAIRRO DA POÇA

“Com os recursos do Projeto, adquirimos um veículo utilitário que tem sido muito útil a toda a comunidade, na área de produção e para o transporte de pessoas. Também compramos um trator com carreta e uma câmara climatizadora para acondicionar a nossa produção de banana, que está mudando a nossa relação com o mercado, pois além de não depender apenas dos atravessadores e de ter que pagar caro por hora/máquina, podemos assegurar a qualidade de nossa banana (principal exploração agrícola e fonte de renda da comunidade), que é comercializada principalmente para a merenda escolar. Estamos finalizando a construção de barracão multiuso que, além de sede da nossa associação, será um espaço para reuniões, festas e garagem para os equipamentos e implementos adquiridos. Esses benefícios têm mudado a vida na comunidade e incentivado os mais jovens a permanecerem aqui, apontando para um futuro melhor”, avalia Nilso Tavares da Costa, coordenador da Associação Remanescente de Quilombo da Poça, no município de Eldorado, ligado à área de atuação da CATI Regional Registro, falou sobre o Projeto, por meio do qual a comunidade recebeu um aporte de R$ 589.592,98.

ASSOCIAÇÃO DO QUILOMBO DO ENGENHO

“Esse projeto está nos proporcionando a concretização de um sonho, pois há muito desejávamos ter um local adequado para nossos festejos, reuniões e comunhão. Durante anos, tínhamos que subir o morro perto das casas, com madeiras e lonas, para montar um verdadeiro acampamento para nos encontrarmos como comunidade. Hoje, ao olharmos para toda a estrutura e a infraestrutura do nosso recém-construído centro comunitário, as lágrimas vêm aos olhos, mas agora de felicidade. Outro grande benefício que tivemos foi o investimento na canalização de água para as casas e para a produção agrícola, pois mesmo estando em uma região de água abundante, não conseguíamos ter recursos para canalizar em todos os lugares, pois estamos em uma região montanhosa”, conta emocionada, Vera Lúcia de Souza Rodrigues, presidente da Associação do Quilombo do Engenho, no município de Eldorado / CATI Regional Registro, onde o investimento do Projeto foi de R$ 409.532,32.

ASSOCIAÇÃO DOS REMANESCENTES DE QUILOMBO DA BARRA DE SÃO PEDRO DO BAIRRO GALVÃO

“Pelo Projeto adquirimos um trator com carreta e construímos um galpão multiuso, bens que não teríamos condições de comprar sozinhos. Dois de nossos jovens fizeram curso de tratorista na Casa da Agricultura e estão aptos para operar os equipamentos. O nosso tempo de trabalho foi reduzido e fazer o transporte da produção de banana ficou muito mais fácil. O barracão que construímos, além de guardar os nossos valiosos equipamentos, também é utilizado, junto com o centro comunitário que já temos, para receber as pessoas e realizar as nossas festas. Só temos a agradecer, primeiro a Deus, depois ao governo do Estado e a esse Projeto que veio para melhorar a vida de comunidades como a nossa”, Jacira Rodrigues dos Santos Oliveira, presidente da Associação Remanescente de Quilombo – Barra do São Pedro do Bairro Galvão, município de Iporanga/CATI Regional Registro, onde o investimento do Projeto foi de R$ 313.927,61.
 
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBO DO BAIRRO PEDRO CUBAS DE CIMA

“Tudo o que conquistamos com os recursos do Microbacias II trouxe uma nova esperança para que os mais jovens possam continuar na nossa terra, cuja regularização foi conquistada com muita luta. Construímos o nosso centro comunitário em módulos de contêiner, pois assim teremos espaço para diversos ambientes, voltados para toda a comunidade: sede da associação, biblioteca e local de estudos, cozinha comunitária, banheiros e salão para festas. O trator e os implementos facilitaram o nosso trabalho na produção de pupunha, pois antes, quando precisávamos carregar a produção, tinha que ser na cabeça ou em lombo de animal. Muitos que saíram da comunidade estão vendo uma oportunidade de ficar e quem está tem a certeza de dias melhores, com mais renda e qualidade de vida. Por isso digo aos jovens: ‘Essa é uma oportunidade que não podemos deixar passar, estudem e trabalhem para ajudar a comunidade a crescer e se fortalecer cada vez mais. Nós, os mais velhos, fizemos isso, honrando os nossos antepassados e vocês devem continuar para manter viva as tradições e o modo de vida quilombola’”, Edvina Maria Tié Braz da Silva, a dona Diva, integrante da Comunidade, localizada no município de Eldorado/CATI Regional Registro, que recebeu investimento de R$ 443.898,69.

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859

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