Limão e peixe: combinação que dá certo no prato e na agricultura de Itajobi

O gosto azedo do limão contrasta com o doce momento pelo qual o município de Itajobi vem saboreando em relação às expectativas dos produtores com a construção do entreposto de peixe, viabilizado pelo Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado. O empreendimento fez com que aumentasse o trabalho de orientação aos produtores por parte dos técnicos da Casa da Agricultura (CA) de Itajobi, considerando que a cidade que mais produz limão no Brasil tem em vista outra cadeia, a piscicultura.

O município de Itajobi, vinculado à CATI Regional Catanduva e berço de ícones da música sertaneja, como Liu e Léo e Zico e Zeca, fica na região noroeste do Estado de São Paulo, distante cerca de 430km da capital e conta com uma população estimada em 15 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em meio à atual crise que assola boa parte das cidades do País, Itajobi vive um momento de crescimento e progresso, que pode ser constatado quando o assunto é o campo. O reflexo do destaque da agricultura em Itajobi se deve, em grande parte, à incansável e sempre presente participação dos servidores da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), representada no município pela CA.

Embora o limão continue reinando em Itajobi, cidade que produz cerca de 900 toneladas de limão tahiti por ano, a piscicultura tem sido “a menina dos olhos” dos produtores, sobretudo com a aquisição do entreposto de peixes viabilizado com recursos do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado para a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Itajobi (Appri). Coube aos técnicos da CA, chefiada pelo engenheiro agrônomo Marcos Traldi, fornecer o apoio necessário para que os produtores de peixe tenham condições de aumentar sua produção e, consequentemente, atingir novos mercados. Atualmente, a produção de peixe em Itajobi é de cerca de 240 toneladas/ano, sendo que o frigorífico terá capacidade para 800 toneladas/ano. A comercialização é feita junto aos frigoríficos e pesque-pagues da região, mas a intenção dos produtores é ampliar a produção devido à chegada do entreposto de peixe.

O empreendimento teve custo total de R$ 1.142.857,14, sendo que R$ 800 mil foram viabilizados pelo Microbacias II e a contrapartida, de R$ 346.039,87, por parte da organização rural. A Proposta de Negócio viabilizou, ainda, caixas para transporte, caminhão, descamadeira, máquina de gelo, máquina de tirar pele, entre outros itens.

       

Na prática

Os técnicos João Luis Cardoso de Oliveira e Marcos Traldi, da CA, investem em visitas técnicas e orientações que têm sido de grande valia no intuito de preparar os produtores para o mercado de peixes, como no caso de José Deomar Ranolfi, produtor de limão que, após os conselhos e orientações de Marcos Traldi, decidiu investir na piscicultura. “Esse produtor não tinha nenhum tanque-rede, mas passou a produzir peixe graças ao potencial que a propriedade possui, aliado à chegada do frigorífico”, explicou Traldi, que está na CA desde o ano 2000. Para o produtor, o apoio técnico da CATI foi essencial. “Nunca trabalhei com o peixe e o pessoal da CATI deu, e continua dando, todo o suporte”, afirma o produtor, que é presidente da Associação dos Produtores Rurais de Itajobi (Apri), organização rural que cedeu o terreno para que a Appri pudesse construir o entreposto.

O médico veterinário da CA, João Luís Cardoso de Oliveira, é um dos grandes incentivadores do frigorífico e auxiliou os produtores na documentação do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado. “Nós, servidores, estamos aqui para isso; para ajudar a agricultura paulista e fazer dela um meio sustentável e rentável”, classificou.

Na propriedade de João Vandir Aparecido, produtor e presidente da Appri, 13 tanques-rede estão repletos de peixes para serem comercializados. “Sou produtor de peixe há 20 anos e estou na agricultura desde que nasci. Com a chegada do Microbacias II, passei a investir na produção de tilápia em tanque- rede, principalmente para o frigorífico, que deve ficar pronto em até 90 dias”, afirmou. João informou, ainda, que o caminhão adquirido com o Projeto foi entregue e já é utilizado. “Atualmente, 25 produtores são associados e utilizam o caminhão para transportar o peixe até o mercado”, explicou o produtor, que espera ter um aumento de produção de 150%, passando de 20 para 50 toneladas/ano. De acordo com Marcos Traldi, o mercado para comercialização de tilápia é favorável, além da oportunidade de obter um preço mais vantajoso para o produtor.

Limão, um doce negócio

Com cerca de 1,2 milhão de pés de limão espalhados pelas propriedades da cidade, Itajobi espera obter oficialmente o título de “Capital Nacional do Limão”. Foi protocolado, no mês de julho deste ano, um projeto que confere ao município de Itajobi tal título. A proposta, inclusive, recebeu o aval da Prefeitura Municipal, que anexou um ofício ao projeto de lei, com o qual argumenta em números do IBGE, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Associação Brasileira de Produtores de Limão (Abpel), as razões para a cidade receber o título nacional.

O limão é responsável por 70% da renda do município, que é um grande exportador do fruto. Prestes a ser finalizado, o último Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (LUPA) revela que Itajobi possui 1.329 propriedades agrícolas, sendo 593 dedicadas ao cultivo do limão, como no caso do produtor Horácio Perez, que possui 22 alqueires. Produtor há quase 50 anos, Horácio afirma que colhe de cinco a seis caixas de limão por pé. “O Marcos me ajuda muito em relação ao manejo do mato, à análise de solo e também à adubação. Além disso, sempre que preciso, procuro a Casa da Agricultura”, disse o produtor, que também cultiva laranja e tangerina. O responsável pela CA de Itajobi afirma que Horácio é um excelente produtor. “O trabalho que nós mais desenvolvemos nessa propriedade é o de levar novas tecnologias e informações, como por exemplo passar a usar produtos orgânicos ao invés de químicos”, explicou.

Com a palavra, o diretor

O diretor da CATI Regional Catanduva, da qual Itajobi é da área de atuação, afirma que produtores de peixe de toda a região estão empolgados com a construção do frigorífico. “Com o entreposto, muita gente tem nos procurado para reativar ou ingressar na piscicultura e nós, da Regional, fornecemos orientação constante ao Marcos Traldi e aos técnicos, pois acreditamos que o maior desafio, no momento, é conciliar produção e comercialização, embora estejamos confiantes de que tudo dará certo”, ressaltou Cláudio Giusti.

Em relação ao trabalho executado pelo responsável pela CA, Giusti não poupou elogios. “A função do Marcos é essencial. Ele está no município há muito tempo e todos os produtores têm confiança nele, assim como eu”, afirmou.

Mais de 40 anos em prol da agricultura no Estado de São Paulo

Edson Gomes dos Santos, técnico de apoio da CA de Itajobi, é servidor da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo há 41 anos. Durante todo esse período, Edson trabalhou em diversas cidades, como Novo Horizonte, Guarani d’Oeste e Fernandópolis. Nesta última, Edson exerceu a função de chefe de operações no Núcleo de Produção de Sementes (NPS) do Departamento de Sementes Mudas e Matrizes (DSMM) da CATI. “Lembro-me que, nessa época, entre 1984 a 1995, o NPS foi campeão por quatro vezes na venda de sementes de algodão”, orgulha-se ao rememorar. No ano seguinte, Edson foi transferido para Itajobi, onde trabalha atualmente. “Por aqui, atuei na área de conservação do solo e participei dos três Censos Agropecuários, também conhecidos como LUPA, em 1996, 2007 e 2017”, recordou.


Da equerda para a direita: Edson Gomes dos Santos; Fernando Luiz Fiori; Marcos Traldi; João Luís Cardoso de Oliveira - equipe técnica da Casa da Agricultura de Itajobi


Ao longo de 20 anos de trabalho em Itajobi, Edson vivenciou o crescimento da cidade e da produção de limão. “Itajobi sempre teve a citricultura como destaque, mas o investimento dos produtores no limão ocorreu após o preço de comercialização da laranja despencar, em meados dos anos 2000. A partir de então, o limão ganhou força”, avaliou. Prestes a se aposentar, Edson afirma ser grato por ter contribuído com o desenvolvimento da agricultura em todas as cidades pelas quais passou, em especial Itajobi. “Deixei minha marca”, concluiu.

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