Fórum Regional discute o controle e a prevenção do besouro das colmeias no Estado de São Paulo

 
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Cerca de 90 apicultores de quatro importantes municípios voltados à produção de mel atenderam o convite da Secretaria de Agricultura e Abastecimento para participar do Fórum Regional sobre Controle e Prevenção do Besouro das Colmeias. O evento, organizado pela CATI Regional Botucatu, pelo Escritório Regional da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e pelo Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Regional Botucatu), foi uma determinação do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, ao tomar conhecimento do primeiro foco do besouro das colmeias (Aethina tumida) em solo paulista, no município de Piracicaba.

Após serem acionados o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA/SAA), a CATI e a pesquisa, por meio da Dra. Érica Weindstein Teixeira, pesquisadora do Polo Regional Pindamonhangaba da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta/SAA), foram realizadas as primeiras ações, entre elas dois treinamentos para técnicos da CDA, com o objetivo de identificação e conhecimento de seus hábitos. Os treinamentos foram realizados em Piracicaba e Pindamonhanga, sob a coordenação do técnico da CDA, Élio Savazaki, indicado como responsável na CDA pelo Programa de Prevenção e Controle.

A região de Botucatu foi escolhida por ser responsável por grande parte da produção paulista de mel, inclusive para fins de exportação, e por ter associações que estão aumentando a sua capacidade produtiva, após a participação em Chamadas Públicas do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado. O presidente da Associação de Apicultores do Polo Cuesta (AAPC), de Itatinga, está adquirindo mais 4.500 colmeias e aumentando em cerca de 50% a produção de mel em sistema orgânico. Joel conta que, por enquanto, não há redução na produção e a notícia que tem é que as abelhas africanizadas conseguiriam conviver com o besouro, que ataca não as abelhas, mas chega até as colmeias em busca de alimento e ali coloca suas larvas, aumentando a população e podendo dizimar a colmeia na competição alimentar.


Mas segundo a pesquisadora da Apta, Polo Regional Pindamonhangaba, Érica Teixeira, especialista no tema, com doutorado e pós-doutorado em Entomologia, “tudo ainda é muito recente e o momento é de ficar atento, não esconder o fato, caso seja encontrado o coleóptero em alguma colmeia e procurar ajuda”. A notificação é obrigatória para que sejam registrados os pontos de incidência e as áreas livres. “No momento, todas as áreas são consideradas livres, tanto em São paulo como nos estados limítrofes, como Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, locais onde a pesquisadora já fez diversas palestras para a identificação do besouro, divulgação dos seus hábitos e das medidas de controle e prevenção.

Outro convidado a dar palestra no Fórum Regional foi o fiscal federal agropecuário do MAPA, Jean Fernandes Joaquim, que informou ser imprescindível que sejam eleitos, o mais rápido possível, representantes tanto das associações e/ou cooperativas de apicultores, como dos órgãos públicos envolvidos, como Defesa Agropecuária e CATI, para que não haja disseminação e descontrole quanto ao besouro. “O mais importante neste momento não é saber como este besouro chegou até aqui, mas como poderá se dar a sua evolução; para isso, pesquisa, extensão e defesa agropecuária têm que agir em parceria”.

Paulo Roberto Forti, da Zapata Consultoria, abordou a questão do melhoramento genético dos materiais, tentando obter rainhas que tenham comportamentos desejáveis no combate ao besouro, como, por exemplo, o comportamento “higiênico” providenciando a limpeza das colmeias. “Esperamos que as abelhas africanizadas existentes no Brasil possam conviver com o besouro sem causar danos econômicos que inviabilizem a produção”, mas como a Dra. Érica Teixeira afirmou os estudos estão apenas no início e o momento agora é o de a Defesa Agropecuária agir e os produtores se unirem em torno dessa causa que é a identificação de focos para que se possa estudar o comportamento do Aethina tumida identificado no século 17, originário da África Subsaariana, local onde convive com as abelhas sem causar prejuízos econômicos à apicultura.


Os participantes ficaram até o final do evento, para uma mesa-redonda em que foi mediador Ricardo Orsi, catedrático da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu). Para os realizadores do Fórum, engenheiro agrônomo Júlio Thoaldo Romeiro, diretor da CATI Regional Botucatu; médico veterinário Francisco Pereira Neto, diretor do Escritório Regional da Defesa Agropecuária (EDA Botucatu); e engenheiro agrônomo Fábio Brass, coordenador de agronegócio do Sebrae-SP, a união de forças e a divulgação são as principais aliadas do apicultor e disponibilizaram as regionais dos órgãos envolvidos para prestarem maiores esclarecimentos. “Foi muito importante esta participação maciça dos apicultores; eles estão ávidos por informações e preocupados com o reflexo em sua atividade”, comentou Júlio Romeiro. “Vieram apicultores não só de Botucatu e Itatinga, mas de Itapetininga e até de Santa Cruz do Rio Pardo em busca de esclarecimentos”, disse o técnico. O coordenador substituto da CDA, Mário Sérgio Tomazela e José Eduardo Alves de Lima, diretor do Grupo de Defesa Sanitária Animal da CDA, também estiveram presentes, esclarecendo o público participante e discutindo as medidas de controle.

João Marchetti, apicultor de Santa Cruz do Rio Pardo, e João Soares, presidente da Associação de Apicultores de Botucatu e região, compareceram a este primeiro Fórum no intuito de tirar dúvidas, se informar sobre as medidas de prevenção e controle e levar o conhecimento para os demais associados. Eles esperam obter todo apoio da SAA para que este novo desafio seja vencido sem causar prejuízos econômicos aos apicultores e sem que sejam necessárias medidas drásticas como a queima das colmeias (segundo a Dra. Érica Teixeira, por eliminar a priori o besouro) ou o fechamento das barreiras, o que inviabilizaria a apicultura migratória praticada pelos apicultores paulistas.

O momento é de divulgação das principais medidas de controle e prevenção listadas pela pesquisadora e feita de acordo com o que já vem sendo observado do comportamento do besouro das colmeias (Aethina tumida). Mais informações nos sites http://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/arquivos/sanidade-animal/nota-tecnica-Aethina-tumida.pdf ou no site www.apta.sp.gov.br.




CUIDADOS E PREVENÇÃO

- Faça inspeção cuidadosa e regular das colmeias. Observe atentamente a tampa, os quadro e os favos, assim como as laterais e o fundo da colméia.

- Evite deixar frestas onde o besouro adulto costuma se esconder e as fêmeas colocarem ovos, ficando fora do alcance das operárias. No caso, os ovos podem virar larvas antes de serem encontrados pelas operárias.

- As fêmeas também costumam colocar ovos nas bordas dos quadros ou dentro das células, mas é difícil de enxergá-los, pois são ainda menores do que os ovos das abelhas. O importante é evitar as frestas que abrigam adultos e ovos.

- Raspar periodicamente acúmulo de própolis e de cera das molduras dos quadros, paredes e fundo das colmeias que sirvam de abrigo para o besouro, assim as operárias terão maior facilidade para retirar os intrusos. Faça substituição de quadros velhos que contenham pólen estocado e velho.

- Mantenha colônias fortes e com bom comportamento higiênico (comportamento de limpeza), assim aumentam as chances de ovos e larvas do besouro serem eficientemente retirados.

- Respeite o espaço abelha, pois sem ele as operárias não conseguem “patrulhar” eficientemente os favos em buscas de intrusos.

- Mantenha rainhas jovens, com boa postura (de preferência com até um ano de idade).

- Alimente as abelhas com suplementação energética (xarope) e proteica (substituto do pólen), sempre com alimento de origem conhecida e, no caso da alimentação proteica, ofereça quantidade que possa ser consumida em cerca de dias (caso contrário se torna um substrato adicional de alimento para o besouro).

 - Proceda a extração do mel, após operculado/maduro, o quanto antes e após a extração devolva os quadros para as colmeias o mais rápido possível. Assim evita-se que, caso haja presença de ovos do besouro nos quadros levados para a sala de extração (e sem a presença de abelhas para retirá-los) que os mesmos eclodam, dando origem a larvas que poderão se desenvolver livremente sem a presença das abelhas. Alimento estocado também é atrativo para os besouros adultos!

 - Pelo mesmo motivo, fundir a cera dos opérculos e resultante da extração do mel o mais rápido possível.

 - Evite captura de enxames na natureza e nunca deixe de fazer quarentena de enxames capturados antes de introduzi-los em seu apiário.

 - Nunca introduza abelhas ou rainhas importadas em seu apiário sem certificação sanitária. Para o transporte de abelhas, deve ser emitida a Guia de Trânsito Animal (GTA), o que assegura a procedência e a sanidade das colmeias.

- Utilize material apícola, utensílios em geral, vestimenta, cera, entre outros de origem conhecida; eles podem ser dispersores de doenças!

- Além de inspecionar regularmente seus apiários, monitore-os para a presença do besouro utilizando a armadilha de plástico corrugado.

- Solos com pouca umidade e rígidos dificultam a proliferação do besouro, porém as larvas do besouro, na fase final, quando procuram por local para empupar, podem se deslocar por distâncias de mais de 100m.

- Apiários totalmente sombreados e úmidos podem beneficiar a infestação pelo besouro, bem como acúmulo de mato e folhas no entorno das colmeias.

- Colônias fracas por qualquer motivo (orfandade, enxameação, rainha deficiente, pilhagem etc.) devem ser evitadas (proceder a união é recomendável).

 - Colmeias abandonadas devem ser rapidamente retiradas do campo para não servirem de abrigo para o besouro, com o agravante de, geralmente, possuírem alimento remanescente.


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