Cooperativa de horticultores de Piracicaba é beneficiada com packing house construído com recursos do Microbacias II

A noite da sexta-feira, dia 9 de março, ficará marcada na história da Cooperativa Piracicabana de Horticultores (Coopihort) como a concretização de um sonho. Em um evento que uniu produtores, técnicos da CATI e autoridades, o clima era de celebração de uma conquista familiar, pela inauguração do packing house de processamento de olerícolas e da aquisição de um caminhão refrigerado que melhorará a logística de comercialização. O empreendimento construído com recursos do Projeto Microbacias II, em um investimento de mais de R$ 900 mil, foi entregue pelo secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, que se emocionou com a garra dos pequenos produtores do Bairro Pau Queimado, que superaram muitos desafios para se organizar e acessar o Projeto.  

“Hoje é um dia de alegria para os produtores que acreditaram. Alguns desistiram no meio do caminho, mas agora estão se unindo e fazendo a diferença, pois passaram a acreditar na sua capacidade de ir adiante. O que resume o sentimento dessa noite é a fala do presidente da Cooperativa que nos brindou com a notícia de que seu filho, que não pensava em ficar na zona rural, depois ver o empreendimento pronto, agora irá fazer faculdade de Administração para apoiar a gestão da Cooperativa e do packing house. Mudanças como essa faz valer tudo o que é feito e investido. É um orgulho participar de eventos como esse e ver que os pequenos produtores estão mais otimistas, acreditando no seu futuro e na sua atividade graças ao Microbacias II, um projeto do governo do Estado”, disse o secretário, pedindo aos produtores para que continuem unidos e possam se desenvolver e crescer de forma sustentável; também saudando o trabalho e a dedicação da equipe da CATI de Piracicaba para essa conquista dos produtores.

Para o coordenador da CATI, João Brunelli Júnior, também é motivo de orgulho essa conquista dos produtores da Coopihort, lembrando que esse projeto faz parte de um universo de 248 realizados em todo o Estado de São Paulo, nos quais já foram investidos mais de R$ 200 milhões. “Quando a gente vê um empreendimento desse porte sendo entregue, nos sentimos como construtores de sonhos. Estamos dando as ferramentas para que os produtores familiares possam acessar novos mercados, agregar valor à produção, aprender a gerir seu negócio e desenvolver novos produtos. Mas, além disso, estamos incentivando-os a se organizarem sempre, buscarem conhecimento, terem autoestima elevada e, assim, se sentirem donos do que está sendo construído. Mostramos a eles que o longo caminho que percorreram, com desafios e aprendizados na fase de implementação do projeto, os fazem mais preparados para se tornarem competitivos e se estabelecerem não apenas como produtores, mas como empreendedores”.

       


Resumindo a emoção da noite, o presidente da Cooperativa, Wanderley Sanches, falou sobre o que representa o empreendimento para as famílias envolvidas. “Hoje é um dia de vitória, pois estávamos desanimados diante das dificuldades e da crise e agora se abriu uma nova perspectiva. O trabalho da CATI foi decisivo, pois as meninas (engenheiras agrônomas da CATI Regional Piracicaba, que apoiaram todo o processo) têm muita garra e fizeram um grande trabalho de convencimento para que conseguíssemos nos organizar em cooperativa. Na minha família somos em 14 irmãos, mas apenas eu segui a missão da agricultura herdada dos meus pais e avós; achei que ia terminar em mim esse trabalho. Mas o Projeto Microbacias II encheu o nosso coração de esperança e também o do meu filho, que trabalhava com computação e, quando viu o empreendimento pronto, me disse que pretende estudar Administração de Empresas, para ajudar na gestão de tudo. Agradeço ao governo do Estado, que nos trouxe esse projeto que veio ao encontro das nossas necessidades”, falou emocionado.

E para encerrar a noite, o secretário Arnaldo Jardim foi portador de uma boa notícia, que entusiasmou os presentes. “O Banco Mundial avaliou o Projeto Microbacias II como um dos melhores da América Latina e, por isso, já sinalizou favoravelmente ao Microbacias III”.

O coordenador da CATI deu mais detalhes. “Estamos delineando a proposta de um projeto, que está sendo batizado carinhosamente de Microbacias III, cujo enfoque englobará a questão da gestão, produção sustentável de matéria-prima de qualidade para esses projetos que foram implementados no âmbito do Microbacias II, que vai procurar fechar um ciclo com grupos organizados, produzindo com respeito ao meio ambiente e gerando renda. Nosso desafio e compromisso é dar suporte para que esses empreendimentos estabelecidos sejam produtivos e rentáveis”.

       


Um pouco da história da Copihoort e o projeto Microbacias II        

A Coopihort, fundada em 2012, está instalada no Bairro Pau Queimado, em Piracicaba. Conta com a participação 59 agricultores familiares e médios da região, que trabalham na produção de olerícolas. O projeto tem o objetivo de agregar valor à produção de hortaliças, principalmente as folhosas como alface, rúcula, salsa e couve, por meio da planta de processamento mínimo.

Sabrina Bakker, engenheira agrônoma responsável pela Casa da Agricultura de Piracicaba, dessa história começou em 2011. “Eles não tinham nenhuma organização, era cada um por si. Foi um grande trabalho de convencimento para que a Cooperativa fosse organizada; foi muito difícil para que conseguíssemos alcançar o número de 20 pessoas para iniciar o projeto; até o Wanderley, que hoje é o presidente, disse que só entraria para fazer número. Hoje, após muitas dificuldades e recomeços, os produtores se mostraram guerreiros e podemos comemorar essa estrutura que vai contribuir para a geração de renda, emprego e manutenção das famílias no campo”.

Sobre o projeto do packing house, Sabrina comenta que o objetivo é agregar valor à produção de hortaliças, principalmente as folhosas como alface, rúcula, salsa e couve, por meio da planta de processamento mínimo, que tornará possível a comercialização, de forma coletiva, do produto já pronto para o consumo (higienizado, picado e embalado), ofertando ao mercado um produto de maior valor agregado, maior qualidade, acompanhando a tendência do mercado. “Com a organização, os cooperados já estão acessando novos mercados, como o da merenda escolar. E esse mercado será impulsionado com esse empreendimento, pois a Prefeitura Municipal, que já era uma grande parceira dos produtores, se animou ainda mais com a possibilidade de ofertar alimentos de qualidade e já processados minimamente, o que otimiza o trabalho das merendeiras nas escolas”.  

O valor total investido no projeto foi de R$ 908 mil, sendo 70%  apoiados pelo governo do Estado, por meio do Microbacias II. O investimento foi utilizado para construção de barracão, compra dos maquinários internos de higienização, corte e embalagem dos produtos e aquisição de um caminhão refrigerado para transporte de produtos prontos.

Segundo Sérgio Diehl, diretor da CATI Regional Piracicaba, esse e outros projetos serão uma das bases para a implementação de um cinturão verde na região. “Estamos em uma área do Estado que abrange uma população de mais de um milhão de habitantes e que, em grande parte, é abastecida com olerícolas oriundas de outras regiões. Por conta do grande número de olericultores de nossa região, fizemos um trabalho de organização com produtores, principalmente das cidades de Americana - onde recursos do Microbacias II foram investidos para fortalecer, ampliar e profissionalizar a produção de uma cooperativa local  -, Piracicaba, Rafard e Capivari, onde também foram investidos recursos do Projeto, visando agregar valor à produção de olerícolas e atender ao mercado regional com produção regional”.

       


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