CATI realiza 11.ª edição do Seminário de Fruticultura de Clima Temperado em São Bento do Sapucaí


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Promover o desenvolvimento e o avanço da fruticultura de clima temperado e apresentar novas alternativas e tecnologias para os produtores. Esses foram os principais objetivos da 11.ª edição do Seminário de Fruticultura de Clima Temperado e o 2.º Dia do Caqui, realizados no dia 15 de junho, pela CATI, por meio do Núcleo de Produção de Mudas de São Bento do Sapucaí, pertencente ao seu Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes. “A realização do Seminário se justifica pelo fato de o cultivo de fruteiras de clima temperado promover uma boa remuneração, em pequenas áreas, por conta do alto valor agregado de seus produtos, tanto os frescos como os processados, o que tem gerado um grande interesse dos produtores. Desde a primeira edição do seminário houve uma mudança de panorama no segmento, principalmente em nossa região, com a implantação de cultivos de frutas vermelhas e outras fruteiras, algumas vezes acompanhados de turismo rural”, explicou Silvana Catarina Sales Bueno, engenheira agrônoma do Núcleo e uma das organizadoras do evento.

Segundo Ricardo Lorenzini, diretor do DSMM, o cultivo de frutas é uma importante alternativa de diversificação, daí as várias ações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento no sentido de incentivar o aumento da produção, da produtividade e da qualidade. “O Departamento atua em seis unidades com produção de mudas e extensão rural. O Núcleo de São Bento do Sapucaí tem várias espécies e cultivares de fruteiras cultivadas em seus pomares e trabalha transferindo o conhecimento e a tecnologia gerados ao longo de sua história, muitas vezes em parceria com institutos de pesquisa e universidades. Nesse contexto, o Seminário é uma excelente oportunidade para troca de experiências com os produtores, na dinâmica de ensinar e aprender”.

Nas últimas edições do evento foi verificada uma participação crescente de produtores oriundos de várias regiões do Estado de São Paulo, não apenas do Vale do Paraíba, e de outros estados. “Temos um público fiel, ao qual têm se acrescentado pessoas de várias localidades, ano após ano. Sempre procuramos diversificar a programação para atender às demandas do nosso público. Os participantes vêm à procura de mudas de qualidade e novas informações sobre os temas ligados ao segmento, as quais são obtidas em palestras e atividades que visam ao desenvolvimento e avanço da fruticultura de clima temperado, enfatizando aspectos técnicos e mercadológicos”, avaliou Silvana.

E esse movimento se comprovou nesta edição. Mesmo em um dia frio, após uma geada que assolou a região, encravada na Serra da Mantiqueira, quase 200 pessoas compareceram no evento, para acompanhar a programação que contou com palestras sobre as culturas da uva, com ênfase em vitivinicultura, morango, e caqui; e um Dia de Campo, o qual apresentou informações práticas sobre produção de mudas, manejo do pomar para controle de pragas e doenças, poda e enxertia de caqui. “Estamos colhendo os frutos da credibilidade, plantados há mais de 10 anos, como resultado do trabalho feito em equipe, entre a CATI; o produtor Rodrigo Veraldi, do sítio Frutopia, que organizou a primeira edição desse Seminário e compõe o grupo organizador até hoje; e universidades, principalmente a Universidade Federal de Lavras (Ufla/MG), representada pelo Prof. Rafael Pio”, salientou Silvana, dizendo que ao final das palestras houve uma rodada de perguntas, quando os interessados puderam esclarecer dúvidas e contribuir com relatos pessoais, promovendo uma troca de experiências enriquecedora.


                           


Palestrantes do corpo técnico da Secretaria de Agricultura e convidados de outras entidades conduziram os debates. Neste ano, além das informações sobre fruticultura, para atender à demanda dos produtores por alternativas de cultivo e agregação de valor, a equipe organizadora incluiu uma palestra sobre cogumelos comestíveis, proferida pelo engenheiro agrônomo Gilberto Job Borges de Figueiredo, da Casa da Agricultura de Caraguatatuba, que pertence à esfera de atuação da CATI Regional Pindamonhangaba, e outra sobre vitivinicultura para vinhos finos de inverno.

Frederico Novelli, da empresa Vitácea Brasil, responsável pelo tema sobre vinhos finos de inverno, fez uma palestra concorrida e deu dicas para os pequenos produtores participarem, direta ou indiretamente, desse crescente mercado. “É importante divulgar os vinhos finos de inverno que estão sendo produzidos no Sudeste, (entre os produtores, três produtores são de São Bento do Sapucaí) os quais utilizam a técnica de dupla poda desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig/Caldas), a qual possibilitou o cultivo de variedades de uvas de excelente qualidade no Sudeste, para a confecção desses vinhos que tiveram a primeira safra em 2012 e já contam seis marcas no mercado, sendo algumas já premiadas em degustações internacionais importantes. Os produtores, principalmente os pequenos, que têm interesse no mercado, mas não recursos para produzir o próprio vinho de forma independente, podem optar pela produção de uvas no sistema de poda invertida, para comercializar com vinícolas já estabelecidas ou ainda produzir vinho para investir em turismo rural, uma vez que a maioria das propriedades que cultivam uva estão em regiões de grandes belezas naturais, com diversas atividades ligadas ao meio rural, às quais poderiam ser adicionadas visitas aos vinhedos. Para os que pensam em investir na produção para o enoturismo, existem opções como a produção em vinícolas que têm espaço para produzir as suas marcas e para outros, ou produzir em parceria com a Epamig, que dispõe de um projeto para atender à demanda de pequenos produtores, estando inclusive já produzindo para vitivinicultores de São Paulo e Rio de Janeiro“, explicou Frederico.

Nesse contexto, os produtores presentes ao seminário, puderam adquirir a publicação lançada pela CATI, O Vinhedo Paulista, que foi coordenado pela engenheira agrônoma Silvana Bueno, o qual dá suporte técnico para produtores de uva e quem quiser implantar um vinhedo.

Interessado nas alternativas apresentadas e em novas tecnologias de fruticultura para levar aos produtores de sua região, Antônio Eduardo Sodrizeiski (Mamute), diretor da CATI Regional Registro, cuja esfera de atuação abrange o Vale do Ribeira, esteve atento a todas as informações. “A altitude no Vale do Ribeira vai de 0 até 1.200 metros. Por isso, temos climas apropriados para a fruticultura de clima temperado, já tendo, inclusive, áreas com plantio de figo e caqui, frutas que foram introduzidas na região pelo trabalho da CATI; também estamos trabalhando, com apoio aqui do Núcleo de São Bento do Sapucaí, para alavancar o cultivo de frutas vermelhas. Hoje, além de mais conhecimento sobre as frutas, foi uma grata surpresa obter mais conhecimento sobre a produção de cogumelos, pois a produção de shitake e shimeji já é realidade na região, gerando rentabilidade”, explicou Mamute, avaliando de forma positiva o Seminário. “Esta edição foi excelente, pois trouxe informações relevantes para balizar nosso trabalho de extensão de oferecer novas alternativas para os produtores do Vale do Ribeira, principalmente para os integrantes de comunidades tradicionais, como os quilombolas e indígenas, que estão em grande número na região”.


                           


Após um dia inteiro de atividades e muita troca de experiência, os produtores ressaltaram a importância do Seminário e do trabalho da CATI na área de fruticultura de clima temperado. Sebastião Inácio Fernandes, do sítio São Sebastião, do município de Santo Antonio do Pinhal, ressaltou: “Esses eventos são importantes porque, a cada ano, têm inovações em áreas como a de poda e enxertia. Por isso, precisamos aprender os pequenos detalhes, para trabalhar melhor no campo. Os técnicos da CATI, aqui do Núcleo de São Bento, nos ajudam muito, sempre repassando conhecimento”.

Para o produtor Carlos Alberto Capelleto, do sítio São Joaquim, de Itatiba, no qual cultiva frutas diversificadas como pêssego, poncan, atemoia e uva, o trabalho da CATI e os eventos são muito importantes “Por sermos pequenos, às vezes não temos tantos recursos para ir atrás de novas tecnologias. Por isso, com a realização de eventos como esse, a CATI aproxima de nós a tecnologia. Hoje, temos uma diversidade de frutas na propriedade, as quais são comercializadas in natura e, também, na forma de doces, licores e compotas; trabalhamos com turismo rural e, mais recentemente, com o enoturismo, pois há alguns anos aumentamos nossa produção de vinho à base de uva niágara, que era apenas para nosso consumo, e construímos uma adega, onde recebemos visitantes e compradores; com isso, agregamos valor à produção e à propriedade. E tudo isso foi conquistado com o incentivo e a orientação técnica da CATI”.

Ao final do ciclo de palestras, a engenheira agrônoma Silvana concluiu as discussões dizendo que um dos desafios para o segmento é gerar tecnologia para diminuir a dependência de mão de obra, que está se tornando cada vez mais escassa. “Na parte mercadológica temos vantagens, pois em clima temperado há possibilidade de se produzir frutas diferentes em épocas diferentes, mas ainda é preciso organizar melhor a cadeia, para atingir mercados diversificados. Nesse contexto de comercialização, muitos estão agregando valor à produção com o turismo rural, como canal de escoamento de sua produção, além dos mercados tradicionais, e, também, investindo em manejo orgânico que tem grande procura por parte dos consumidores, pois há uma grande diversidade de hortaliças orgânica disponíveis no mercado, mas não de frutas; o processamento de frutas também tem sido um fator de agregação de valor. Mas percebemos que, nesse setor, como em outros, um dos gargalos é a mão de obra, cada vez mais escassa. Por isso, é imprescindível o investimento em novas tecnologias, principalmente na área de colheita e pós-colheita. Esse é um dos grandes desafios para a pesquisa e a extensão rural.

                                   


2.º Dia do Caqui

Entre as frutas escolhidas para o debate deste ano, o caqui teve destaque por conta da realização conjunta do 2.º Dia de Campo. Pedro Maranha Peche, engenheiro agrônomo e um dos palestrantes do Seminário, fez um resumo sobre o panorama da cultura. “As regiões de maior produção de caqui em São Paulo estão localizadas em Mogi das Cruzes, Atibaia e Pilar do Sul (Regionais da CATI de Mogi das Cruzes, Bragança Paulista e Itapetininga, respectivamente), onde a safra das principais variedades - rama forte (responsável por 80% do mercado), taubaté, fuyu e guiomo (caqui chocolate) -, vai até julho. Em 2006, houve uma queda na produção de caqui em São Paulo; agora está em ascensão (tendo chegado a mais de 4,5 milhões de caixas de 26kg, em 2015, segundo informações do Instituto de Economia Agrícola e da CATI/SAA), principalmente pelo aumento da procura pelos consumidores. Isso tem rentabilizado o produtor, que tem alcançado, na média, um bom valor pela caixa. Como tem havido uma demanda fora da época de maior oferta, que vai de março a junho, período em que os preços caem bastante, muitos produtores têm adotado tecnologias para ampliar a produção para a época de melhor preço, entre julho e agosto e/ou dezembro e janeiro”.

Pedro avalia que, para se ter uma produção de qualidade e em quantidade adequadas, são necessários alguns cuidados: adquirir mudas de qualidade e sanidade comprovada, obtidas de viveiro idôneo; ter porta-enxerto padronizado; fazer o preparo do ambiente e do solo. “O produtor que deseja trabalhar com a cultura, deve fazer um planejamento de pelo menos dois anos, antes de plantar a primeira muda no campo, observando o manejo do solo e as correções necessárias, adotando práticas conservacionistas, definindo como serão a produção e a comercialização. No quesito de agregação de valor, os produtores podem fazer o processamento da fruta para a elaboração de caqui-passa, geleias, sucos e vinagre; pesquisas mostraram que os produtos com maior potencial de aceitação no mercado nacional, são o caqui-passa e o vinagre, o qual tem um sabor mais suave e um agente ativo que retarda o murchamento da salada, além de ter um preço atrativo no mercado, que varia entre R$ 5,00 e R$ 6,00 por litro”, explica o agrônomo, informando que a Universidade Federal de Lavras e a CATI têm feito pesquisas e experimentos em busca da melhor variedade para fazer vinagre.

O Dia de Campo contou com estações nas quais foram abordados diversos assuntos, de forma abrangente. Na primeira dinâmica, Amélio José Berti, diretor do Núcleo de São Bento, falou sobre a formação de mudas. A seguir, a agrônoma Silvana falou sobre as técnicas de poda para a cultura. Pedro Peche e o técnico do Núcleo, Vicente Paulo da Rosa, mostraram as técnicas de enxertia.

Entre essas dinâmicas de campo, na estação sobre pragas e doenças, ficou claro que um dos principais desafios da cultura do caqui é o controle sanitário. “A cultura do caquizeiro é infestada por insetos, que são responsáveis por diversos tipos de danos qualitativos e quantitativos nas diferentes fases da planta. Apesar de o caquizeiro ser considerado uma espécie rústica, as pragas podem prejudicar a rentabilidade da cultura, provocando prejuízos diretos com a redução da qualidade dos frutos, pela perda da qualidade externa dos mesmos, por meio de lesão na epiderme e danos internos na polpa dos frutos. E mesmo provocar a morte da planta com o ataque no tronco e ramos formando galerias no interior. Por isso, é necessária a utilização de medidas de controle para minimizar os prejuízos e garantir a sustentabilidade econômica da atividade”, afirmou Renato Pereira Alves, engenheiro agrônomo da  Casa da Agricultura de Guararema, que pertence à área de atuação da CATI Regional Mogi das Cruzes e especialista no tema, destacando que, entre as principais pragas e doenças estão a lagarta-dos-frutos, cochonilhas e mosca-das-frutas, e cercospora e antracnose, respectivamente. “Temos orientado os produtores a adotarem Boas Práticas Agropecuárias, como o tratamento de inverno, a retirada de galhos e podas. Mas para ter informações mais completas e adequadas para a realidade de cada região, os produtores devem procurar as Casas da Agricultura e também os técnicos aqui do Núcleo de Produção de Mudas de São Bento do Sapucaí”.

Ao encerrar a 11.ª edição do Seminário, Silvana lembrou os trabalhos do Núcleo para a área de fruticultura temperada. “O trabalho do Núcleo é bem diversificado. Além da produção e comercialização de mudas, entre as quais a atemoia e o caqui estão entre as mais procuradas, em nossos pomares temos a produção de material de propagação utilizados pela CATI em seus viveiros e também para fornecer a viveiros particulares; atendemos produtores de frutas e de mudas, estudantes e técnicos ligados ao setor. de material genético; fazemos experimentos e introdução de material genético que, em grande parte, são obtidos em parceria com universidades como a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)  e a Ufla, inclusive com a realização de várias teses de doutorado em nossos campos experimentais; promovemos eventos para que o produtor tenha respaldo para cultivar com êxito. Estamos abertos à visitação e à disposição da sociedade”.


Para mais informações: Núcleo de Produção de Mudas de São Bento do Sapucaí

(12) 3971-1306/3971-2046  email: npmsb@cati.sp.gov.br


Dica de agregação de valor: elaboração de vinagre de caqui

  • Os frutos maduros, sem cálice e pedúnculo, devem ser pesados e colocados em um recipiente atóxico, até atingir 2/3 da sua capacidade, e em seguida são amassados/ triturados de modo que forme uma massa pastosa. A essa massa adiciona-se 20g de metabissulfito de potássio para cada 100 quilos de caqui a ser fermentado, o que tem por finalidade inibir a ação de leveduras indesejáveis. O recipiente deve ser mantido coberto com um pano e a massa em seu interior precisa ser agitada, com uma pá de material inerte, pelo menos duas vezes ao dia. Quatro dias após o início da fermentação tumultuosa o mosto deve ser coado, com um pano ralo e, em seguida, colocado em um vasilhame limpo, onde continua o processo de fermentação lenta, por mais 15 dias, aproximadamente. Após esse período, realiza-se a trasfega do mosto fermentado para outro recipiente limpo, tomando o cuidado para não passar os sedimentos que se acumulam no fundo;
  • o líquido trasfegado irá sofrer fermentação acética, para acelerar esse processo pode-se inocular o mosto com bactérias responsáveis por esse tipo de fermentação, o que se consegue com a adição de 1 litro de vinagre não pasteurizado para cada 5 litros de mosto fermentado. A fermentação acética deve se processar em vasilhame aberto, apenas protegido por um pano, já que o processo é estritamente aeróbio. Na superfície do liquido forma-se uma camada gelatinosa, a qual deve permanecer durante todo o tempo em que o processo durar;
  • a acetificação se processa lentamente, podendo durar de 6 a 12 meses. Uma vez considerado suficientemente forte, o vinagre deve ser trasfegado com cuidado, a fim de separá-lo da camada gelatinosa e dos sedimentos que se acumularam e, logo seguir, ser engarrafado ou conservado em barris totalmente cheios e bem fechados.


Fonte: MARTINS, Fernando Picarelli; PEREIRA, Fernando Mendes. Cultura do caquizeiro. Jaboticabal, SP: FUNEP, 1989. 71 p.

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