CATI homenageia Hermes Moreira de Souza, personagem principal da instalação do parque de sua sede

Conhecido como “o semeador de florestas”, por sua paixão pelas plantas e árvores, Hermes Moreira de Souza nasceu em 8 de fevereiro de 1918. Reconhecendo a importância de seu trabalho e o legado deixado para a instituição, com a implantação de um parque, que se tornou um pulmão verde em seu derredor, a CATI homenageou, in memorian, o pesquisador nesse dia 8 de fevereiro, data em que ele completaria 100 anos de vida.

A homenagem foi realizada da mesma forma que o pesquisador viveu: com simplicidade e em meio às árvores. Com a presença da filha, de representantes da CATI e da Associação dos Amigos do Jardim Botânico do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, de amigos e ex-funcionários, a solenidade foi marcada pelo plantio de uma muda, filha de um ingá-vermelho, que foi transplantado da casa do pesquisador para a sede do IAC. “Só temos a agradecer ao dr. Hermes pela contribuição que ele deu à natureza, principalmente na região de Campinas, com a criação de inúmeros parques como este da CATI. Essa homenagem foi um momento de reflexão, para que valorizemos a riqueza de árvores que temos aqui. Foi muito emocionante ver os depoimentos de quem conviveu com ele, mostrando sua simplicidade, seu conhecimento e o seu espírito semeador de sempre deixar uma muda, coletar sementes, plantar e cuidar da natureza. Homenagear pessoas com esse perfil e índole é uma obrigação nossa”, disse João Brunelli Júnior, coordenador da CATI.

O momento foi marcado por lembranças e emoção por parte dos presentes, que falaram um pouco sobre esse ilustre personagem. Uma dessas pessoas foi Marcelo Crestana, engenheiro agrônomo aposentado da CATI, que trabalhou com o doutor Hermes, como ele era conhecido, e foi um dos responsáveis pela coordenação do parque. “Tive o privilégio de conviver com o dr. Hermes durante 20 anos, quando trabalhei nessa área de arborização na Divisão de Extensão Rural (Dextru/CATI). Ele foi uma pessoa notável e um grande e generoso mestre, que nos passou o seu conhecimento de árvores e plantas ornamentais. O parque da CATI foi sendo formado pelo dr. Hermes, como fruto de suas andanças pelo Estado, pois ele, sempre que encontrava algo interessante do ponto de vista técnico e agronômico, trazia sementes e materiais de propagação para reproduzir em suas pesquisas no IAC e também para formar o nosso parque. Hoje, toda essa riqueza botânica que temos aqui na CATI devemos a ele”.

Antonio Geremias, 70 anos, começou a trabalhar na seção de floricultura do IAC aos 14 anos e também falou sobre o trabalho do dr. Hermes. “Meu pai era funcionário do IAC desde 1950, por isso morávamos na Fazenda Santa Eliza. Todo dia, quando ia para a escola rural e passava em frente à seção de floricultura, eu pensava comigo: “Meu Deus, será que um dia vou trabalhar em um lugar lindo desse e perto de casa?. Quando eu completei 14 anos, consegui ser registrado e ingressei como jardineiro. Comecei limpando canteiros, não existiam plantas arbóreas ainda, eu os via falar das famílias e espécies e aprendi muito com o dr. Hermes, que era uma pessoa muito boa, nunca ficava bravo com os funcionários. Ele era muito generoso e dava sementes para todo mundo”, contou seu Antônio.

A filha do dr. Hermes, Marília W. de Souza, agradeceu a homenagem. “Essa homenagem foi muito linda. Pude ver na fala de amigos e ex-funcionários que ele era querido por todos. Meu pai deixou um legado técnico de conhecimento e, para nós da família, ele deixou a paixão pela natureza. Quando éramos crianças e íamos para praia pela Serra do Mar, demorava quase oito horas para chegarmos, pois ele ia parando o tempo todo; para coletar alguma semente e nos mostrar”.

Encerrando as atividades do evento, ela fez a entrega do canivete do pai, um de seus instrumentos de trabalho mais marcantes, ao companheiro de trabalho e amigo de jornada do dr. Hermes, Francisco de Assis Leitão Moraes, o Chiquinho, que encerrou a tarde com poesia. “Eu tive a sorte de trabalhar e aprender com o dr. Hermes, me tornando seu amigo pessoal e posso afirmar que ele era o maior conhecedor de árvores que eu já vi. Hoje, a gente trabalha para estimular a criação de coleções de espécies vegetais, principalmente de árvores, que são organismos complexos. A repercussão do seu trabalho foi tão grande, que inspirou a crônica ‘A flor e o seu nome’, escrita por Carlos Drummond de Andrade, em seu livro ‘Os dias lindos’. O dr. Hermes também contribuiu com a conscientização das pessoas, escrevendo por 20 anos uma coluna sobre árvores e a natureza no Suplemento Agrícola do jornal Estadão. Só tenho a concluir que ele era um ser humano incrível”.

Exposição “A floresta nas mãos”

Durante o evento, também foi aberta ao público a exposição “A floresta nas mãos”, composta por fotos de plantas e árvores plantadas pelo pesquisador na sede do IAC e na Fazenda Santa Eliza, de autoria da jornalista e fotógrafa Josiane Giacomini Alves. “Essa exposição foi organizada com fotos feitas para uma reportagem e um portal sobre espécies plantadas pelo dr. Hermes no IAC. Ela tem um caráter itinerante, já tendo passado por escolas, particulares e públicos, bem como instituições de saúde, como o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. Nosso objetivo, além de divulgar o trabalho do pesquisador nas instituições onde atuou, em escolas e para a população em geral, é fomentar a instalação de jardins botânicos, com diversidade e riqueza de espécies, nas entidades que a recebem, e promover a conscientização ambiental de crianças e jovens. Esse trabalho já tem dado vários frutos, como a incrementação do Jardim Botânico da Escola do Sítio, em Barão Geraldo, e o início da implementação de um jardim na Escola Técnica Bento Quirino”, informam Josiane e Alfredo Morel Júnior, o qual é presidente da Associação dos Amigos do Jardim Botânico do IAC.

Serviço:

A exposição, instalada na entrada principal do Centro de Treinamento da CATI, ficará aberta ao público até o dia 28 de fevereiro e pode ser visitada de graça no horário de 8h às 16h, de segunda a sexta-feira.

O endereço da CATI é Avenida Brasil, 2.340 – Jardim Chapadão – Campinas (SP)

Um pouco de sua história

Hermes Moreira de Souza nasceu em 1918 e, desde sua infância, foi influenciado por seus pais que eram amantes da natureza. Em 1942, com 24 anos, formou-se engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba. Em 1943, iniciou suas atividades como pesquisador no Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, na antiga Seção de Botânica.

O doutor Hermes, como era conhecido, deixou o IAC para trabalhar por cinco anos na Divisão de Fomento Agrícola da CATI, mas retornou para esse Instituto para atuar com plantas ornamentais. Em 1962, assumiu a chefia da Seção de Floricultura, onde permaneceu até a sua aposentadoria, em 1984, após 42 anos de dedicação na área da botânica.

Foi fundador da Sociedade Protetora do Meio Ambiente (Proam) e sócio número 1 da fundação da Associação dos Amigos do Jardim Botânico do IAC. Entre suas obras estão os seus jardins, como os da CATI, do Complexo Monjolinho do IAC, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron do MCT, todos em Campinas, e ainda os da Prefeitura de Nova Odessa e da Refinaria Replan, em Paulínia, bem como as palmeiras da Esalq.

Teve atuação representativa na urbanização de Campinas e região, com o planejamento de parques, praças e calçadas das ruas e avenidas, enfeitadas com as plantas das coleções mantidas no IAC. O pesquisador morreu no dia 9 de agosto de 2011, em Campinas.

Sobre o parque da CATI

A área total ocupada pelas sedes da CATI e da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) é de 130.285m², dos quais 52.400m² são ocupados pelo parque, que se tornou referência no município e na região de Campinas como um arboreto de espécies significativas, tanto nativas como exóticas. Atualmente, outros profissionais da CATI e do IAC continuam a zelar pelo patrimônio representado pelo parque da CATI, com novos plantios, manejo das espontâneas, podas, controle de saúvas, entre outras ações, seguindo os ensinamentos do dr. Hermes. “Ele não apenas fez identificação de espécies e doação de plantas, mas durante toda sua vida acompanhou o desenvolvimento das árvores plantadas no parque, seu florescimento e frutificação. Era comum encontrá-lo caminhando entre elas, ora coletando sementes, ora simplesmente contemplando-as”, avalia Escolástica Ramos de Freitas, engenheira agrônoma da Divisão de Extensão Rural (Dextru/CATI) e coordenadora do grupo gestor do parque.

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859

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